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Nelson Mandela

No mesmo ano em Luther King recebia o Prêmio Nobel da Paz nos EUA, Nelson Mandela era condenado à prisão perpétua, na África do Sul. Mandela passou a ocupar a cela de número 466/64, que tinha as dimensões reduzidas de 2,5 metros por 2,1 metros, provida de uma pequena janela de 30 cm. Todas as acusações provinham de seu ativismo e protestos contra a severa segregação entre brancos e negros, conforme explicou em uma entrevista, dois anos antes de sua condenação: “Nos outros países africanos, vi brancos e negros se misturando de forma pacífica e alegre em hotéis e cinemas, usando o mesmo transporte público e morando nos mesmos bairros. Voltei para casa para relatar essas experiências aos meus colegas. Cumpri meu dever com o povo e com a África do Sul. Tenho certeza que o futuro mostrará que sou inocente e que os criminosos que deveriam estar neste tribunal são os homens do governo.” 

Durante o julgamento, Mandela se declarou inocente e se defendeu como pôde, mostrando que antes de ser um bom advogado, era um cordeiro exemplar: “Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”. Talvez a morte tivesse sido mais fácil de suportar do que os 27 anos de cárcere, em função de uma causa que defendeu até que o apartheid fosse extinto da face da Terra. Mesmo depois de 20 anos preso, em 1984, quando o governo pressionou sua esposa, Winnie, com a proposta de soltar Mandela e seus companheiros, desde que todos assumissem o compromisso de viverem exilados nobantustão de Umtata, da prisão ele escreveu à mulher, em tons firmes: “Você sabe perfeitamente bem que passamos essa última parte de nossa vida na prisão exatamente porque nos opomos à ideia mesma de assentamentos separados, que nos torna estrangeiros em nosso próprio país, e que permite ao governo perpetuar a opressão até os dias de hoje. Pedimos ainda que desista desse plano explosivo e esperamos sinceramente que seja a última vez que venha a nos aborrecer com isso.” Esse é o tamanho da força, coragem e determinação de um cordeiro.  Após 27 anos de cárcere e luta contínua, Mandela é solto em 11 de fevereiro de 1990.

O pequeno claustro de Mandela, na ilha Robben

O pequeno claustro de Mandela, na ilha Robben

No ano de 1993 Mandela recebe o Prêmio Nobel da Paz. No ano seguinte se torna o primeiro presidente da África do Sul, com 62% dos votos. Deixo aqui uma de suas frases que exemplifica não apenas seu caráter e sabedoria, mas também a plena noção que tinha sobre como funcionava o mundo onde vivia:

Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, da sua origem ou da sua religião. Para odiar, é preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas também podem aprender a amar.

Leia também sobre a batalha de John Lennon contra o governo americano.

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The author

Desde criança, sempre busquei a resposta para as seguintes perguntas: Quem eu sou? De onde eu vim? O que estou fazendo aqui? Pra onde eu vou? Essa busca acabou por se tornar prioritária em minha vida. Graças a todos que compartilharam e compartilham seus conhecimentos, tenho feito grandes transformações em minha vida. Assim, foi natural a decisão de compartilhar aqui as informações mais relevantes ao meu processo de evolução, inspirando cada vez mais pessoas a seguirem seus próprios corações.