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Educação sem medo

Teus filhos não são teus filhos.
São filhos e filhas da vida, anelando por si própria.
Vem através de ti, mas não de ti,
E embora estejam contigo, a ti não pertencem.
Podes dar-lhes amor mas não teus pensamentos,
Pois que eles tem seus pensamentos próprios.
Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas.
Pois que suas almas residem na casa do amanhã,
Que não podes visitar se quer em sonhos.
Podes esforçar-te por te parecer com eles,
Mas não procures fazê-los semelhante a ti,
Pois a vida não recua, e não se retarda no ontem.
Tu és o arco do qual teus filhos,
como flechas vivas, são disparados.
. . . . . . . . . . . . . .
Que a tua inclinação, na mão
do arqueiro, seja para alegria.
(Khalil Gibran)

O título desse post surgiu da fusão dos títulos das principais obras que o inspiraram: o excelente documentário argentino, Educação Proibida (2009), e o livro Liberdade Sem Medo (título original: Summerhill), publicado pela primeira vez em 1960. Ambos materiais de estudo essenciais para quem deseja entender com qual finalidade o sistema de educação tradicional foi criado há alguns séculos e os reais motivos deste ter se transformado tão pouco até hoje, mas, principalmente, aos que buscam um modelo de educação benéfico a todos os habitantes do planeta Terra. Antes de mais nada, deixo claro que esse post não tem a intenção de atacar a escola, embora seja uma dura crítica ao sistema de educação tradicional. Tampouco culpo meus pais ou professores pelo que descrevo a seguir. Sou grato por todas as pessoas que passaram pela minha vida e todas as experiências que vivi, sem exceção. Acredito na transformação das escolas em comunidades de aprendizagem livre. No entanto, pelo que tenho testemunhado, acredito ainda mais nas escolas que já nascem livres.

O livro conta a história de Summerhill, uma escola fundada em 1921, situada na aldeia de Leiston em Suffolk, Inglaterra, mais ou menos a 150km de Londres. Conforme a orelha do livro já avisa: “Trata-se de um lugar onde as crianças não são obrigadas a ir às aulas – Podem deixar de assistir as lições durante anos, se assim o quiserem. Contudo, e bastante estranhamente, os meninos e meninas dessa escola APRENDEM! E, na verdade, o fato de serem privados das lições chega a ser considerado um castigo severo.” Logo no prefácio, o psicanalista, filósofo e sociólogo Alemão, Erich Fromm (1900-1980), dá uma pista ao leitor sobre os motivos da educação tradicional ter sido moldada como foi e ainda é: “Nosso sistema econômico precisa criar homens que se adaptem às suas necessidades, homens que desejem consumir cada vez mais. Nosso sistema precisa criar homens cujos gostos sejam padronizados, homens que possam ser influenciados com facilidade, homens cujas necessidades possam ser conhecidas com antecipação. Nosso sistema precisa de homens que se sintam livres e independentes, mas que, apesar disso, estejam dispostos a fazer o que deles se espera, homens que se ajustem à máquina social, sem fricção, que possam ser liderados sem líderes, e que possam ser dirigidos sem qualquer outro alvo que não seja “ter sucesso”. A autoridade não desapareceu, nem mesmo perdeu seu vigor, mas foi transformada de autoridade manifesta em autoridade anônima de persuasão e sugestão. Em outras palavras, para ser adaptável, o homem moderno é obrigado a nutrir a ilusão de que tudo é feito com seu consentimento, mesmo quando esse consentimento lhe é extraído através de sutil manipulação. Seu consentimento é obtido, sim, mas atrás de suas costas, para além de sua consciência.” Fromm deixa claro que Summerhill, na época, era uma exceção no mundo “porque poucos pais têm a coragem e a independência suficientes para pensar mais na felicidade de seus filhos do que no “sucesso” deles.” E ainda arremata: “Não há, realmente, crianças-problemas, como diz o autor, mas apenas ‘pais-problemas’ e ‘humanidade-problema’.” Ao final da introdução da obra, o autor e fundador de Summerhill, A.S. Neil (1883-1973), reforça: “Este livro é uma tentativa para mostrar como surge a infelicidade, e como as crianças podem ser educadas de forma que tal infelicidade jamais surja.” Quase um século depois da fundação de Summerhill e mais de meio século depois da publicação de seus inúmeros relatos sobre o sucesso desse modelo de educação focado na liberdade, respeito e felicidade da criança, o sistema educacional dominante continua tendo êxito em perpetuar uma mentalidade que alimenta a crença em nossas limitações e a dependência do mesmo, atuando como uma prisão perfeita para nossas mentes, o que podemos chamar de “matrix”. A prova disso é que, em plena era da informação, ouvi de muitos parentes e amigos exatamente as mesmas perguntas citadas no livro de 1960, dessa vez sobre a comunidade de aprendizagem de Piracanga (Escola Inkiri), situada no litoral baiano, onde morei durante o ano de 2014 e que tem como foco o trabalho interno e o desenvolvimento de cada ser, como por exemplo: “E quando essas crianças tiverem de competir com outros alunos para uma vaga na universidade?” O fato é que as crianças de escolas como Summerhill, além de se tornarem adultos mais felizes e confiantes, as que quiseram, entraram em diversos tipos de universidades e seguiram os caminhos que escolheram de forma muito mais autônoma e saudável que nós (alunos programados do sistema tradicional) sequer temos a capacidade de imaginar. Alguns exemplos desses alunos são os criadores de negócios como Google, Amazon e Wikipedia, Anne Frank, Gabriel Garcia Marquez, Jacqueline Kennedy Onassis, o violinista Joshua Bell, o ator George Clooney, os príncipes britânicos, William e Harry, entre outros. “Obviamente, uma escola que faz com que alunos fiquem sentados nas carteiras, estudando assuntos em sua maior parte inúteis, é uma escola má. Será boa apenas para os que acreditam em escolas desse tipo, para os cidadãos não-criadores que desejam crianças dóceis, não-criadoras, prontas a se adaptarem a uma civilização cujo marco de sucesso é o dinheiro” explica A. S. Neill, um ser humano fantástico que compreendeu algo muito simples e precioso:

A ausência do medo é a coisa mais bela que pode acontecer a uma criança

Embora o sistema de ensino tradicional perdure de forma conservadora e nociva, como escancaram os documentários Educação Proibida”, “Escolarizando o Mundo (Schooling The World)” e “Quando Sinto que Já Sei”, o livro sobre Summerhill é uma das provas de que a semente da tão sonhada educação sem medo, está sendo plantada há muito mais tempo do que se imagina. Enquanto, em 2015, continuamos permitindo que nos programem para competir uns com os outros de forma feroz e sem sentido, transformando o mundo em uma arena onde só pode haver vencedores, lá atrás, grandes seres humanos, como os pioneiros Maria Montessori e Rudolf Steiner (fundador da primeira escola Waldorf em 1919 e da Antroposofia), já iniciavam o plantio que agora brota nas mãos da nossa sociedade para que, juntos, possamos continua-lo. Sim, a mudança é possível e a hora é agora! Como colocou John Lennon sobre a Guerra do Vietnã: “war is over if you want it”. O mesmo vale para esse arcaico sistema de educação, responsável por grande parte dos problemas que nos afligem, tanto individualmente, como enquanto sociedade, conforme demonstra o filósofo austríaco, Ivan Illich (1926-2002), em sua relevante obra “Sociedade Sem Escolas” (Deschooling Society, 1971). Porque hoje já existem outras possibilidades. Summerhill, que segue firme e forte rumo ao centenário, já não é tão exceção. Hoje, modelos como o da Escola da Ponte (Portugal), que desde 1977 adotou como lema “fazer as crianças felizes”, num projeto liderado pelo pedagogo português, José Pacheco, e que já inspira muitas escolas em diversas partes do globo, especialmente no Brasil, são uma realidade muito mais palpável e segura aos pais de todo o mundo. Hoje, embora renegados (e até desconhecidos) por muitos educadores brasileiros e pelo próprio Ministério da Educação, que segue métodos estrangeiros ultrapassados como Piaget (1896-1980) e Vygotsky (1896-1934), as sementes plantadas por grandes educadores brasileiros como Paulo Freire (1921-1997), Eurípedes Barsanulfo (1880-1918) e Tomás Novelino (1901-2000), florescem através de temas como “Educação Domiciliar” ou “Desescolarização”. Assuntos que aqui no Brasil vem sendo abordados de forma criativa e colaborativa pela educadora Ana Thomaz e já não mais deveriam assustar ou ser estranhos aos pais brasileiros. Hoje, aprender brincando, já é coisa levada a sério por brasileiros internacionalmente respeitados na área da educação, como o ilustre Tião Rocha. Hoje, já não é tão fácil trair nossas crianças após ler um entrevista qualquer do neurobiólogo chileno, Humberto MaturanaHoje, a plataforma livre de educação desenvolvida por Salman Khan, que patrocinada por Bill Gates se tornou a renomada Khan Academy, já é a forma como milhões de jovens ao redor do mundo aprendem em casa os mesmos conteúdos dados nas escolas tradicionais, porém, de forma mais divertida, harmônica e o mais importante, respeitando o tempo e os interesses de aprendizagem de cada criança.

Nossos filhos estão diante de oportunidades muito melhores que as que tivemos, que por sua vez já foram melhores que as de nossos pais, mas vivenciá-las depende, única e exclusivamente, de uma decisão de cada pai e mãe de não submeter seus filhos à mesma lavagem cerebral que sofreram. Algo que parece tão simples e óbvio, mas que sei o quão difícil é. Sei porque estudei, de acordo com o sistema vigente, em “uma das melhores instituições de ensino do país”. Uma instituição particular, é claro. Um “privilégio” de poucos. Portanto, embora todos saibam o quão ruim é nosso sistema de ensino na base (leia-se ensino público), talvez nem todos saibam o quão nocivo ele é do ponto de vista do “topo” da pirâmide. Na verdade, é um sistema perfeito onde o oprimido não recebe educação para que continue se deixando oprimir e os opressores treinem uma minoria de pessoas, denominada “elite”, para perpetuar o trabalho de opressão massiva. Essa “elite” só não percebe que é parte da massa de manobra dentro de um sistema comandado por pouquíssimos “sócios”. Em entrevista recente à revista Trip de julho de 2015, Muhammad Yunus, recente Nobel da Paz e mundialmente conhecido como o “banqueiro dos pobres” declarou:

Há 85 pessoas no mundo que têm mais da metade de toda a riqueza do planeta. Já a metade mais pobre da população mundial detém menos de 1% desses recursos. Que mundo é esse?

Esses dados estão no relatório da OXFAM, de janeiro de 2014. É impossível ficar indiferente diante de uma informação como essa. Tem algo de muito errado com nossa sociedade e o sistema tradicional de ensino está diretamente ligado tanto à raiz do problema, quanto à dificuldade de muitos em enxergar isso.

ESCOLAS OU LINHAS DE MONTAGEM?

Para que eu possa ser mais claro, permita-me compartilhar, de forma breve, minha formação escolar (ou deformação, dependendo do ponto de vista) enquanto aluno e indivíduo dessa sociedade. Estudei em um colégio “de elite” em São Paulo, onde minha mãe leciona há 27 anos. Enquadrados na categoria “filho de professor”, eu e meus irmãos tivemos bolsa de 100% durante todo o colégio, ou seja, nossa educação saiu “de graça”. Não estou desmerecendo o suor de minha mãe, mas o salário de uma professora, ainda que em um dos melhores colégios particulares do Brasil, não seria suficiente para pagar a mensalidade (hoje estimada em R$ 2.995,00) para seus três filhos. Se fosse hoje, meus pais gastariam cerca de R$ 1.617.300,00 com nossa educação. Isso para colocar 3 jovens de 18 anos diante de um exame vestibular sem sentido, sem contar os custos da universidade de cada um, considerada pré-requisito mínimo para adentrar o inglório “mercado de trabalho”. Longe de ser este “dos males, o menor”, mas fico aliviado em saber que, ao menos, eles pouparam o dinheiro desse investimento egoísta, focado 100% no sucesso do adulto que cada criança virá a ser, ignorando quase por completo sua felicidade no momento presente. Sei que, na maioria das vezes, os pais estão dando o seu melhor, mas, inconscientemente, esse é um crime que cometem contra seus próprios filhos, geração após geração. Claro, se você não teve a mesma oportunidade, pode ser que me julgue como um mal-agradecido ou pense que, assim como tantos outros, eu não seria capaz de passar por tamanha lavagem cerebral sem uma noção totalmente destorcida da realidade. Bom, eu te entendo. Você tem toda a razão. Afinal, isso ocorreu mesmo e é necessário um esforço tremendo da minha parte para reverter esse quadro, acredite. E foi justamente em uma comunidade de aprendizagem (Piracanga) que isso começou a se tornar possível, mesmo aos 30 anos de idade.

Veja o que fizeram conosco e continuam fazendo com nossas crianças nas escolas tradicionais.

1.NOS SEGREGAM RACIAL E SOCIALMENTE

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Graças aos 400 anos de escravidão de seres humanos de pele negra na história recente da humanidade, hoje, a segregação de classes também significa uma segregação racial. Você acha que havia algum negro no colégio “de elite” onde estudei? Na minha época, teve exatamente UM. No colégio inteiro, da primeira série ao terceiro colegial (do ensino fundamental ao ensino médio, em termos atuais). Era uma menina. Eu lembro bem, pois ela acabou fazendo parte do grupo das garotas populares do meu ano. Pois é, pelo visto as crianças sabem lidar um pouco melhor com a situação do que os adultos. Claro que ela enfrentou inúmeros pré-conceitos e bullyings, mas dentro daquele cenário, sua integração era um sinal claro não apenas de como o mundo, ali dentro e lá fora, estava errado, mas também de como ele poderia sim mudar pra melhor. Como ia dizendo, eu fui criado na outra ponta da “cadeia alimentar”. Isso significa que eu fui colocado 7h por dia, 5 dias por semana e muitos finais de semana, durante 11 anos (no meu caso, 12) para conviver com os herdeiros dos maiores bancos, filhos de donos das maiores redes de drogaria, dos principais escritórios de advocacia e de presidentes de grandes multinacionais do país. Do ponto de vista do “sistemão”, isso pode ser visto como um “grande privilégio”, só que esse não é e nunca foi o meu ponto de vista. Principalmente sabendo que, na base da pirâmide, seres humanos vivem em condições sub-humanas, o que pude duramente enxergar com meus próprios olhos, construindo casas de emergência em dezenas de favelas da grande São Paulo, durante um período de dois anos como voluntário na ong TETO. Embora, de forma bem crítica e direta, meu papel ali fosse de um mero colocador de uma espécie de “band-aid social”, lá pude ver, dentro de um perímetro de menos de 50km em torno da minha casa, toda a realidade da qual os muros de um colégio particular tentaram, em vão, me separar. Vale pontuar que essa instituição onde estudei tinha sim inúmeros projetos sociais que convidavam os jovens a conhecerem mais sobre a realidade do país, inclusive soube que fizeram uma parceria com a ong TETO, posteriormente. Portanto, como disse antes, não culpo nenhum professor e não acredito que a mentalidade de nenhum deles, ou do diretor dessa e de outras escolas, se identifique com os ideias de nenhum dos déspotas que criaram o sistema de educação obrigatória (como veremos a seguir), pelo contrário. Mas não há como ignorar que a grande maioria viva na negação, se recusando a enxergar o quão nocivo ele é e quão pouco se fez e ainda se faz para mudar essa situação nas escolas tradicionais. Enquanto, nas escolas públicas crianças são jogadas às traças para depois serem jogadas aos tubarões, crianças da “elite” são treinadas para serem os sucessores dos tubarões. Isto significa enxergar todos os outros como adversários e derrotá-los. Sei que parece exagerada a forma como descrevo, mas infelizmente, é assim que funciona na prática. Claro que não se usam essas palavras nas escolas, mas o fato é que essa é a mensagem passada aos alunos. Desde cedo, somos tirados da convivência de nossas famílias para, em um ambiente hostil, nos estimularem a competir uns com os outros de forma estúpida. Assim como muitos ainda fazem, vivi durante muitos anos em uma espécie de negação inconsciente, mas hoje entendo porque, mesmo sendo um garoto inteligente e criativo, fui um dos “piores alunos” daquela escola. Sem exageros. Está tudo documentado. Minhas notas eram as piores da classe em quase todas as matérias, com exceção de Artes e Educação Física, nas quais meu desempenho era bem acima da média. Provavelmente, por serem as únicas matérias onde eu sentia liberdade para expressar o meu ser. Eu me recusava a fazer todos os deveres de casa, não via o menor sentido naquilo. Vivia na sala da diretoria. E não pense que tenho orgulho disso. Não foi nada engraçado. Foram anos de repressão que demorei muito tempo pra limpar (isso porque eu tive a consciência dos impactos negativos dessa experiência e quis limpar, mas muitos não tem, optam por viver na negação) e só recentemente, após assistir ao belo filme indiano “Como Estrelas Na Terra, Toda Criança É Especial”, pude ver, agora de forma bem mais distante e desidentificada, como tudo isso me afetou e o quanto ainda afeta. A cada dia identifico como raiz de limitações pessoais que já não fazem o menor sentido, velhas programações mentais provenientes dessa longa lavagem cerebral, sofrida não apenas na escola, mas através da propaganda e outros meios aos quais crianças são expostas sem a menor consciência de seus pais, que por sua vez estão ainda mais hipnotizados que os filhos. Do contrário, esse ciclo que já dura séculos poderia ser interrompido. O fato é que isso só será possível quando dedicarmos uma boa parcela de nossas vidas para mudar o cenário educacional do Brasil e do mundo, educando nossas crianças de forma livre, mais consciente e amorosa.

 2.NÃO RESPEITAM NOSSA INDIVIDUALIDADE

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Você já parou pra pensar o quanto achamos normal separar as crianças por idade nas salas de aula? Sim, a maioria de nós ainda acha isso absolutamente normal. Afinal, é assim que é. Nos separam por idade, nos obrigam a aprender exatamente o mesmo conteúdo, muitas vezes conteúdo inútil e desinteressante ao aluno, todos no mesmo ritmo e, pra piorar, ainda nos classificam através de testes e notas. Fomos condicionados a achar que isso é normal, mas nem sempre isso foi assim. Essa separação foi pensada, estrategicamente, para atingir os objetivos aos quais a “educação” sempre esteve destinada.

UMA BREVE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO OBRIGATÓRIA

Conforme explica Helena Norberg-Hodge (fundadora da Sociedade Internacional de Ecologia e Cultura e produtora do premiado documentário The Economics of Happiness”), no documentário “Escolarizando o Mundo (Schooling The World)”: Se olharmos para os primórdios da educação veremos que provém do colonialismo. Ou seja, havia uma elite que queria treinar pessoas para servir suas necessidades, afim de criar uma economia extrativista que servisse a poucos ao custo de muitos. Hoje, nos países chamados de “terceiro mundo”, o plano fundamental básico é o mesmo: puxar as pessoas para a dependência de uma economia moderna e centralizada e empurrá-los para fora de suas independências, e de suas próprias culturas e auto-respeito. Hoje existe uma grande crença de que é através da educação moderna que vamos tirar as pessoas da pobreza. Mas se prestarmos atenção ao que está acontecendo, veremos que foi o advento do colonialismo, desenvolvimento, e a ideia de assistencialismo que criou a pobreza.” O que não se aprende nas escolas, é que antigamente a educação estava nas mãos da igreja católica, pelo menos no mundo cristão ocidental, mas foi recentemente, no século XVIII, num período conhecido como DESPOTISMO ESCLARECIDO, que se criou o conceito de educação PÚBLICA, GRATUITA e OBRIGATÓRIA. Foi na Prússia, Rússia e Polônia, por volta 1760, o local de origem desse conceito de educação obrigatória, que logo foi exportado por outros déspotas ao redor do mundo, inclusive posteriormente por Napoleão Bonaparte, sempre camuflado pelo discurso de igualdade e “Educação” para todos. Qual era o objetivo desses déspotas esclarecidos? Um povo dócil, obediente e apto a trabalhar no desenvolvimento da Revolução Industrial que se iniciava. A Educação Obrigatória era a resposta ideal à necessidade de trabalhadores para o sistema, tanto que foi financiada por grandes empresários industriais como Andrew Carniege, JP Morgan, John Rockefeller e Henry Ford. Não por acaso, o sinal das escolas lembra a trompeta militar, as crianças usam uniformes e o recreio lembra a praça de armas. Não por acaso, os alunos são segregados em classes e “produzidos” em séries. Não por acaso, os alunos devem se ater à grade curricular. Não por acaso, temos as delegacias de ensino. Não por acaso, os alunos recebem cargas horárias. As similaridades entre as escolas tradicionais, as prisões e o exército são muitas. Diante desse cenário: ou ajudamos a criar um sistema educacional que sustente o mundo de união no qual sonhamos viver, ou continuamos alimentando o sistema doentio atual que, como visto, não é tão atual assim…

3.NOS IMPLANTAM MEDO

A base que sustenta esse sistema, impedindo que abandonemos estilos de vida nocivos, tanto para os indivíduos, quanto para o planeta, é o medo. É por isso que nas escolas, nos jornais, nas novelas, nos grandes portais, nos seriados de televisão, nos consultórios, nos hospitais, em todos os locais por onde o medo possa entrar, ele é injetado, constantemente. Litros e litros, direto na veia. Sem o medo, não se controla ninguém. Quem ama não deseja dominar ou controlar nada nem ninguém. Onde há controle, se nega o amor. E quando o amor é negado, a relação estabelecida é, pura e simplesmente, de poder. Mas é impossível dominar milhões de seres que sabem e se sentem livres. Há que se implantar uma crença muito forte de que se eles pararem de trabalhar para o sistema (em termos claros, se pararem de trabalhar para manter o status quo) algo horrível irá lhes acontecer. E não é exatamente isso que ocorre hoje no mundo? Mais de sete bilhões de seres humanos vivendo com medo. Aí, de vez em quando, chega alguém que diz: “Isso não está certo. Temos que mudar isso.” E a reação geral é sempre bem distinta dos discursos das mesas de bar: “Tá louco? De jeito nenhum! E encarar as consequências? Deixa quieto.” É…existem consequências sim. Do ponto de vista do ego, há que se pagar um preço pela liberdade. Mas, pela lógica, sairia bem mais em conta que o preço que já estamos pagando. Nada vale mais que a nossa liberdade. Claro, podemos nos libertar individualmente, como fez o Buda, mas será que não seria muito mais fácil, eficaz e harmônico se fizéssemos esse movimento juntos? Mas aí vem o próximo passo do sistema doentio que ajudamos a criar…

4.FOMENTAM O ÓDIO ENTRE NÓS

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Antes de continuar, quero deixar claro que cada um de nós é responsável por criar a sua própria realidade, como falo no post VOCÊ CRIA A SUA REALIDADE, que é uma introdução à Física Quântica. Portanto, em primeira instância, somos nós mesmos que deixamos o medo e o ódio entrarem em nós. O dia em que o indivíduo integra esse entendimento em sua vida, não pode mais ser oprimido ou controlado. Mas justamente pela grande maioria ainda não enxergar dessa forma, é que é tão fácil para os líderes de estado, líderes religiosos e grandes veículos de comunicação, fomentarem o ódio entre os grupos que eles mesmos ajudaram a segregar. E para um grupo pequeno que comanda os líderes políticos, religiosos e os meios de comunicação, é extremamente viável fomentar o ódio entre esses diversos grupos. Isso gera ainda mais medo e reduz drasticamente a chance de união em possíveis revoltas contra o sistema opressor, limitando-as sempre a uma pequena parcela da população. A segregação sempre fez parte de estratégias de controle. Se repararmos bem, estamos separados por países que cuidam cada um do seu próprio rabo, se unindo apenas por meia dúzia de interesses comerciais, até que alguém lhes ofereça um negócio mais lucrativo ou maior proteção para que possam continuar explorando países mais pobres sem grandes perturbações. Dentro dos países, existem as segregações entre regiões e estados, as segregações religiosas, as segregações por times de futebol (que muito se parecem com as religiosas), as segregações por ideologias e partidos políticos (que muito se parecem com as futebolísticas), etc. E não confundamos as coisas, nunca foram nossas diferenças que nos segregaram, pelo contrário, elas só nos enriquecem. O que nos segrega é ódio e a intolerância para com os “diferentes”, alimentados diária e estrategicamente, pelos que comandam a mídia, a política e as religiões. Seria muito útil reconhecermos que essa segregação nasce do medo que nós mesmos permitimos que nos seja injetado, constantemente. No fundo, é uma escolha nossa, por isso é tão duro encarar esse fato com sinceridade. Se pararmos pra pensar, os “diferentes” nunca foram tão iguais. Afinal, se portam do mesmo jeito. Maltratam uns aos outros em prol do seu partido político, do seu “deus”, do seu time de futebol, etc. Porque se fossem realmente opostos, não brigariam tanto. A prova disso é que seria impossível haver uma guerra, uma briga, uma troca de ofensas sequer entre Hitler e Gandhi, por exemplo. Enquanto um pregava e praticava a violência, o outro pregava e praticava a não-violência. Esses sim são opostos de verdade. Diferente dos representantes da extrema esquerda e extrema direita, dos fanáticos do time X ou do time Y, dos radicais da religião A ou da religião B, que no fundo são todos exatamente iguais e alimentam a segregação da mesma forma.

5.NOS FAZEM CARCEREIROS E ENCARCERADOS

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Para controlar um rebanho de mais de sete bilhões de ovelhas, nada mais eficaz do que fazê-las agir como cães ovelheiros, coibindo as ovelhas que tentarem se desgarrar do rebanho. E é fundamental implantar todas essas crenças na falsa liberdade enquanto essas ainda são crianças. Dessa forma, todo e qualquer indivíduo dessa sociedade, com raras exceções, é seu prisioneiro e carcereiro, ao mesmo tempo. Assim sendo, aquele que ousar transgredir as regras, trazendo novas ideias, ou se negando a alimentar a manutenção do status quo, é ferozmente repreendido pelos demais e enfrenta todo tipo de resistência pela frente. Basta reparamos como tratamos os que tentam nos libertar dessa prisão mental na qual nos metemos. A realidade sobre o sistema vigente sempre esteve diante de nossos olhos. Seja na crucificação de Jesus Cristo, seja no fogo da inquisição durante a Idade Média, seja nos assassinatos de líderes, ativistas e cientistas como Giordano Bruno, Lincoln, Gandhi, John Kennedy, Bobby Kennedy, Malcolm X, Luther King, John Lennon, entre outros, seja no apedrejamento de mulheres que almejavam ser livres pra amar em pleno século XXI, seja na intolerância e violência praticada contra toda minoria que pensa e age de forma distinta da grande massa. Enfim, exemplos de que é exatamente assim que o sistema vigente funciona não faltam. E se todos esses exemplos não lhe são suficientes, sugiro que faça um teste banal: experimente dizer às pessoas que você não come mais carne ou que parou de consumir álcool, por exemplo, e observe as reações que essa mínima mudança causará ao seu redor. Não importa se estamos falando de uma opção religiosa, sexual, filosófica, futebolística ou seja qual for. Os que não respeitam os diferentes, se tornam iguais, da pior forma possível: enquadrados em um padrão onde ser livre é convencionalmente proibido, assim como nos ensinou o sistema tradicional de educação.

A EDUCAÇÃO DO NOVO MUNDO JÁ ESTÁ ACONTECENDO AGORA

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Para facilitar a pesquisa de quem busca expandir o entendimento sobre os temas “Educação Alternativa” ou “Desescolarização”, reuni abaixo os materiais audiovisuais que julguei serem mais relevantes dentro da minha pesquisa.

Embora ainda tenhamos muito a aprender sobre educação e processos de aprendizagem, há que se reconhecer que os ideais de uma educação mais natural e amorosa abriram um caminho precioso pelo qual hoje podemos partilhar dessas ideias. E que é justamente a nossa mania de querer controlar e padronizar tudo para depois ativar nossos pilotos automáticos e deixarmos de pensar, o real motivo de alguns desses modelos alternativos já estarem sendo utilizados de forma antiquada ou ineficaz. É importante compreendermos que uma educação livre consiste em uma educação viva, construída em tempo real através da interação entre seres em constante evolução e aprendizado (pais, filhos, educadores, equipe) dentro de uma comunidade (escola). E se a escola é uma comunidade viva, como comparar uma com outra? Como padronizar comunidades que são organismos vivos e mutantes? Ao observarmos o fluxo da natureza podemos ver que, embora nada seja permanente, tudo flui naturalmente. Para que um rio flua, a única coisa que podemos fazer por ele é não obstruir seu caminho. Penso que com as crianças o processo seja o mesmo. Não temos nada que ensiná-las. Mas podemos dar-lhes todo nosso amor, permitindo que estas sejam livres para aprender, sem nos tornarmos obstáculos em seu desenvolvimento, mas sim aprendendo junto com elas. Isso consiste, não apenas em amarmos nossos filhos mas, em primeiro lugar, em aprendermos a amar a nós próprios para então podermos amar, verdadeiramente, nossos filhos e nosso planeta. Quanto mais busco, estudo e medito, mais fica claro que o trabalho interno é o único caminho para acessar o amor que nós somos, através da conexão com nossas centelhas divinas. Quando essa conexão é estabelecida, podemos sentir e amar como O Criador, que nos fez livres para aprender, cada um a seu tempo. Parece que o visionário fundador de Summerhill, Alexander S. Neill, sabia disso: “O próprio futuro de Summerhill pode ser de pequena importância. Mas a ideia de Summerhill é da maior importância para a humanidade. Novas gerações devem receber a oportunidade de crescer libertas. A outorga da liberdade é a outorga do amor. E só o amor pode salvar o mundo.”

ALGUNS DOCUMENTÁRIOS SOBRE EDUCAÇÃO

Estudar não é um ato de consumir idéias, mas de criá-las e recriá-las.

Paulo Freire

UMA BREVE INTRODUÇÃO AOS EDUCADORES DO NOVO MUNDO

E pra quem ainda não acredita que é possível a transformação do sistema tradicional de educação em uma educação livre e das escolas em comunidades de aprendizagem, segue abaixo uma lista de 11 escolas/métodos pedagógicos que comprovam que essa transformação já é uma realidade em vários locais no mundo, nesse exato momento :)

Veja  as escolas aqui.

 

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The author

Desde criança, sempre busquei a resposta para as seguintes perguntas: Quem eu sou? De onde eu vim? O que estou fazendo aqui? Pra onde eu vou? Essa busca acabou por se tornar prioritária em minha vida. Graças a todos que compartilharam e compartilham seus conhecimentos, tenho feito grandes transformações em minha vida. Assim, foi natural a decisão de compartilhar aqui as informações mais relevantes ao meu processo de evolução, inspirando cada vez mais pessoas a seguirem seus próprios corações.