Category Archives: Educadores

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Salman Khan

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Salman Khan é um ex-aluno do MIT e Harvard que, despretenciosamente, gravou vídeos curtos, bem diretos ao ponto, com a explicação narrada ao fundo e números aparecendo em uma lousa virtual para ajudar uma prima com dificuldades em matemática. Sem saber, suas aulas não estavam mais ajudando apenas Nadia, mas parentes, amigos e até os filhos do Bill Gates.

Ele é o fundador da Khan Academy, uma plataforma livre de educação on-line e organização sem fins lucrativos. A partir de um pequeno escritório em sua casa, Khan já produziu mais de 4.000 vídeo aulas que ensinam um amplo espectro de assuntos acadêmicos, com ênfase em matemática e ciências. Em abril de 2013, a Khan Academy canal no YouTube atraiu 830 mil assinantes e os vídeos Khan Academy foram vistos mais de 250 milhões de vezes. Em 2012, a Time nomeou Salman Khan em sua lista anual das 100 pessoas mais influentes do mundo e a revista Forbes colocou Salman Khan em sua capa com a história “US $ 1 trilhão Opportunity”.

Com sua própria academia, Khan começava a liderar um movimento de reformulação de salas de aula em todo mundo. Reformular talvez nem seja a melhor palavra para o que ele vem fazendo. O que ele tem feito mesmo é inverter a sala de aula, ou o que em inglês é chamado de flip the classroom. Isso mesmo: ele tem colocado a classe de cabeça para baixo.

Um infográfico, em inglês, feito pela Knewton mostra como a nova lógica altera as formas de interação em sala de aula. Os momentos de exposição, em que os alunos estão de frente para o quadro, acontecem com menos frequência e os alunos precisam se rearranjar mais constantemente em grupos. “Quando nos livramos da noção de uma pessoa entregando a informação diante de uma sala de aula em um ritmo definido, isso nos permite repensar completamente nossos pressupostos sobre como uma sala de aula ou uma escola pode ser. Nós podemos então considerar a possibilidade de ter professores na mesma sala de aula trabalhando com alunos que têm diferentes idades e graus de habilidade”, disse Khan em um artigo escrito em outubro passado na Times.

Exatamente por isso, defende Khan, que, ao contrário do que muitos temem, as videoaulas em casa não diminuem nem a necessidade de um bom professor nem a importância dos momentos presenciais de interação. O que ocorre, aliás, é uma valorização de ambos. “Os professores estão usando tecnologia para humanizar a sala de aula. Eles pegam uma situação fundamentalmente desumanizada e sem interação e a transformam num espaço de troca”, afirmou.

Os vídeos de Salman Khan são traduzidos para português pela Fundação Lemann, além de servir como ferramenta de ensino em escolas brasileiras para ensinar matemática. No dia 18/01/2014 foi lançado o site em modo beta.https://pt.khanacademy.org/. Para ajudar na tradução do site, acesse http://crowdin.net/project/khanacademy/pt-BR e cadastre-se.

Em passagem pelo Brasil em janeiro de 2013, o educador norte-americano foi convidado pela presidente Dilma Rousseff a firmar uma parceria na realização de pesquisas pedagógicas no país.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Salman_Khan

http://porvir.org/salman-khan-homem-inverteu-sala-de-aula/

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Tião Rocha

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Tião Rocha é um personagem caricato da “nova” educação, que se dependesse dele já nem seria tão nova assim. Ninguém melhor que o próprio para se apresentar:

Abaixo, uma palestra onde Tião Rocha explica que a educação pode acontecer, como inevitavelmente acontece, em qualquer lugar.

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José Pacheco

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José Pacheco é um dos maiores educadores que já passaram por aqui. Embora eu já desconfiasse, só pude realmente afirmar isso após passar dois dias com esse ser humano 100% conectado e entregue à uma missão tão bela quanto fundamental nos dias que atravessamos. Fundador da Escola da Ponte, em Portugal, e um dos idealizadores do Projeto Âncora, no Brasil, o carismático contador de histórias português vem inspirando adultos e salvando crianças ao redor do mundo, pois entendeu algo que ele resume de forma simples e direta:

aprender é inevitável, ensinar é impossível.

 Em ambas as escolas citadas não há provas, nem aulas. No entanto, as crianças não só aprendem, como gostam de frequentar a escola (ou como o próprio Pacheco prefere chamar, comunidade de aprendizagem)! Mais de 40 anos depois de seu surgimento, hoje a Escola da Ponte é uma das mais bem avaliadas nas provas nacionais em Portugal e já é referência em todo globo, influenciando escolas em pelo menos 28 países. O material na web sobre José Pacheco e a Escola da Ponte é extenso. Deixo abaixo uma de suas inúmeras palestras como introdução aos que estão iniciando sua pesquisa agora e incentivo a todos que façam sua própria pesquisa sobre as formas incríveis de aprendizagem que já estão ocorrendo em muitos pontos do globo, há mais tempo do que se imagina.

A seguir, meu depoimento e pergunta ao José Pacheco, durante um encontro que ocorreu em Piracanga, em agosto de 2015, em uma comunidade de aprendizagem, situada na Península de Maraú/BA, onde morei por um tempo.

Aqui o Trailer do documentário Quando Sinto Que Já Sei, conforme o Zé Pacheco indicado ao final de sua resposta:

Aqui algumas imagens cedidas carinhosamente pelo No Astral, durante o encontro com o educador português em Piracanga/BA.

Fotos por Gustavo Pera.

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Ana Thomaz

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Ana Thomaz é educadora, ex-bailarina e professora da técnica Alexander (com formação no Alexander Technique Studio, em Londres). Trabalha há mais de 15 anos ajudando pessoas a viver com o corpo inteiro. É mãe de três pessoas e oferece cursos de educação ativa para pais e professores por todo o Brasil. Ana mantém o blog Vida Ativa, onde partilha experiências sobre uma educação que é construída a cada dia.

Abaixo um vídeo produzido pelo espaço virtual “O Lugar”, onde Ana Thomaz compartilha o que aprendeu sobre “Desescolarização” e nos leva a um percurso sobre as possibilidades de aproveitar a educação dos filhos para se desenvolver, se trabalhar, crescer e fazer crescer outra cultura.

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Paulo Freire

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Em minha pesquisa sobre a extensa obra de Paulo Freire, me deparei com esse material super didático e de qualidade que está sendo produzido pelo professor André Azevedo da Fonseca afim de divulgar o pensamento de educadores à frente de seu tempo.

A série de vídeos discute didaticamente cada um dos capítulos e subcapítulos do livro Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, de Paulo Freire.

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Humberto Maturana

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Humberto Maturana é Ph.D. em Biologia (Harvard, 1958). Nasceu no Chile, estudou Medicina (Universidade do Chile) e depois Biologia na Inglaterra e Estados Unidos. Como biólogo, seu interesse se orienta para a compreensão do ser vivo e do funcionamento do sistema nervoso, e também para a extensão dessa compreensão ao âmbito social humano. É professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Chile.

Prega a Biologia do Amar e do Conhecer para a formação humana. Sustenta que a linguagem se fundamenta nas emoções e é a base para a convivência humana. Fundou, em Santiago, o Instituto de Formação Matríztica, um espaço relacional que favorece a ampliação da compreensão de todos os domínios de existência humana, desenvolvendo estudos sobre a Biologia do Amar e do Conhecer, por meio de cursos, palestras e oficinas de conversações operacionais e reflexivas sobre a Matriz Biológica da Existência Humana.

A seguir, um breve diálogo entre Humberto Maturana e Ximena Davila sobre infância, ética e amor:

Abaixo uma entrevista em português, concedida aos Professores Mércia Helena Sacramento e Adriano J. H. Vieira, durante o seminário comemorativo dos 10 anos do Mestrado em Educação da Universidade Católica de Brasília.

…toda a propaganda para transformar as crianças em consumidores é um estímulo para a cobiça.

Revista Humanitates – O senhor afirma que o ser humano é o resultado de transformações anatômicas e fisiológicas que ocorreram em torno da conservação do viver no conversar. O que é o conversar?

Humberto Maturana – O conversar é um fluir na convivência, no entrelaçamento do linguagear e do emocionar. Ou seja, viver na convivência em coordenações de coordenações de fazeres e de emoções. Por isso é que digo que tudo o que é humano se constitui pela conversa, o fluxo de coordenações de coordenações de fazeres e emoções. Quando alguém, por exemplo, aprende uma profissão, aprende em uma rede de conversações.

RH – O senhor costuma usar os termos linguagear e emocionar, qual o significado destes termos?

HM – Tenho transformado os substantivos linguagem e emoção em verbos, para fazer referência, para conotar que aquilo que eles significam ocorre no fluir do conviver. Não são coisas, não são elementos isolados porque ocorrem no fluir, a linguagem ocorre no fluir do linguagear. Não está na palavra, não está no objeto, está no fluir do viver em coordenações de coordenações. O mesmo ocorre com a emoção.

RH – O senhor diz que a maneira de conviver conservada geração após geração, desde a constituição de uma cultura, como linhagem, é fundamentalmente definida pela configuração do emocionar. Como se explica isso?

HM – As emoções definem o espaço relacional no qual ocorrem nossas ações, o que se diz, pela linguagem. Então, o mesmo gesto, o mesmo movimento vai ter um caráter ou outro segundo a emoção que o origina. O mesmo discurso vai ter um caráter ou outro segundo a emoção a partir do qual ele foi gerado, de onde ele se faz. As culturas são redes fechadas de conversações que produzem a configuração do emocionar, é nessa rede fechada de conversações que vai formar o caráter da cultura. Por isso é a emoção que guia, no fundo, o fluir histórico.

RH – Qual a importância das emoções na evolução humana?

HM – As emoções são centrais na evolução de todos os seres vivos, porque definem o curso de seus fazeres: onde estão, para onde vão, onde buscam alimentos, onde se reproduzem, onde criam seus filhotes, onde depositam seus ovos, etc. Bem, com os seres humanos ocorre exatamente a mesma coisa. O emocionar, o fluxo das emoções, vai definindo o lugar em que vão acontecer as coisas que fazem no conviver. Então, se uma pessoa se move, por exemplo, a partir da frustração, isso vai definir continuamente o espaço relacional na qual se encontra e o curso que vai ter seu viver. Se vive a partir da confiança, vai seguir um curso distinto. Assim, portanto, o que guia o fluxo do viver individual são as emoções e na constituição evolutiva também. É o emocionar que se conserva de uma geração a outra na aprendizagem das crianças.

RH – Como educar uma criança para que ela se torne um adulto socialmente responsável?

HM – Numa educação amorosa, que vê a criança, que a escuta, que a acolhe com respeito. Uma educação que traz consigo à criança, a confiança em si mesmo e o respeito por si mesmo, é a educação que possibilita, portanto, a colaboração. A colaboração ocorre somente em um quefazer com outros, tendo respeito por si mesmo.

RH – O que é a biologia do amar e qual sua importância para o desenvolvimento humano?

HM – A biologia do amar é o fundamento biológico do mover-se de um ser vivo, no prazer de estar onde está na confiança de que é acolhido, seja pelas circunstâncias, seja por outros seres vivos. No caso dos seres humanos, isto é central na relação do bebê com sua mãe, com seu pai, com seu entorno familiar, que o vai permitir crescer como uma criança que vai ser um adulto que se respeita por si mesmo. Se você observa a história de crianças que se transformam em seres, chamemos assim, anti-sociais, vamos descobrir que sempre tem uma história da negação do amar, de ter sido criado na profunda violação de sua identidade, na falta de respeito, na negação de seu ser.

RH – Quando e como acontecem as mudanças culturais?

HM – As mudanças culturais ocorrem quando há as mudanças no emocionar que define as redes de conversação em que se vive. Em geral, estas mudanças culturais ocorrem simplesmente porque vão mudando as condições de vida e as pessoas vão mudando o que fazem, ou porque há situações experienciais que resultam, em nosso caso, em uma reflexão que nos leva a querer viver de outra maneira. Mas, o viver é sempre conservador. As culturas são conservadoras, de tal modo que uma mudança pode ser imperceptível, no sentido de que uma pessoa não se dá conta porque as condições de vida vão mudando, ou mudam as condições de vida sem haver mudança cultural porque o emocionar segue sendo o mesmo. Por exemplo, penso que seja o que acontece com a tecnologia da comunicação atualmente. Ou porque há situações que são comoventes, que faz com que alguém se pergunte porque está vivendo de um modo que não gosta, de estar vivendo num determinado momento.

RH – Quais são as diferenças básicas entre a cultura matrística e a cultura patriarcal ou matriarcal?

HM – A diferença básica reside no fato de a cultura patriarcal/matriarcal estar centrada nas relações de dominação e submissão, exigências, desconfianças e controle. De outro modo, uma cultura matrística, que vem a ser antecessora da cultura patriarcal/matriarcal, está centrada em relações de muito respeito e, portanto, de colaboração. Na cultura patriarcal/matriarcal não há colaboração. Quer dizer, pode haver, claro, mas o centro, o fundamental é a relação de dominação e submissão.

RH – Vivemos numa sociedade que promete a felicidade pelo consumo, pela posição social, por ter coisas. Esta mesma sociedade apresenta muitos sofrimentos. Estes sofrimentos nos indicam que precisamos mudar a cultura patriarcal/matriarcal, que incentiva a competição e o lucro, e retomarmos a cultura matrística?

HM – Veja bem, o sofrimento, como diz minha  amiga Ximena Dávila, tem uma origem cultural, é resultado do sentimento de ser negado no convívio. Então, é claro que é sinal de que estamos vivendo num mundo relacional que nos nega. Daí que necessitamos de mudanças, necessitamos criar novos espaços de convívio. E sem dúvida, isso tem a ver com a negação do que somos originalmente seres amorosos.

RH – Como o senhor vê a democracia no momento atual?

HM – Eu penso que o que se passa com a democracia é que tanto está fundada na possibilidade de colaborar para um projeto comum de mútuo respeito como se vê ligada por outras dinâmicas emocionais que se entrecruzam com ela, que tem a ver com noções filosóficas ou políticas, mas que enfatizam justamente a competição ou a desconfiança e o controle. Ou seja, se estamos gerando um espaço de colaboração na convivência em que apareça a competição, será destrutor da própria colaboração. Agora, se estamos gerando uma democracia, ou se queremos viver uma democracia que seja essencialmente um espaço de colaboração de pessoas que se respeitam a si mesmas, em um projeto comum, que é a convivência democrática em que apareçam noções de competição ou atitudes de competição, dependendo, é claro, do grau desta competição, como por exemplo, em nossa cultura, neste momento, toda a visão do comércio que se associa ao estímulo da cobiça, é destruidora da democracia. Quando Jesus disse “não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, não se pode servir ao dinheiro e ao amor”, aponta certamente isso. Mostra que servir ao dinheiro tem a ver com a cobiça. Por isso o jovem rico para entrar no Reino de Deus tem que desfazer-se de suas riquezas, abandonar seus apegos, porque o Reino de Deus é, de fato, amar. É a democracia. É o que nos diz, assim, o Evangelho.

Então, estas emoções se entrecruzam, por exemplo, toda a propaganda para transformar as crianças em consumidores é um estímulo para a cobiça. Provavelmente estas crianças serão adultos que vão cobiçar, porque cresceram na busca da satisfação de qualquer coisa que querem, sem ter consciência do que isto significa no espaço social, no espaço de convivência, por exemplo, de seus pais, que não necessariamente podem comprar tudo o que os filhos querem. Mas, os filhos exigem e exigem por que estão convidados a isso. A propaganda, neste caso, é a instrutora, em última análise, da consciência da criança, da legitimidade do espaço de convivência no qual as pessoas não têm tudo. Se tiver uma convivência amorosa não necessita ter tudo.

RH – Qual a importância do jogo para o desenvolvimento humano?

HM – O jogo é uma atividade que se realiza no prazer de ser feito, com a atenção posta no prazer de fazer a coisa, pelo fazer mesmo, não na conseqüência. A importância disso é que o jogo permite a colaboração. Permite a seriedade do fazer pelo próprio fazer, pelo respeito àquilo que se está fazendo, pelo prazer de fazê-lo e não pelas conseqüências que poderá ter. A criança, ao jogar, aprende um modo de viver cuja atenção não está nas conseqüências, mas está na responsabilidade do que faz. Claro que vão ter conseqüências, mas o central não são as conseqüências, mas aquilo que a criança está fazendo ao jogar. Se alguém aprende isso pode colaborar, pode estudar, pode fazer qualquer coisa com satisfação e com prazer. Por que o central não será o resultado, uma nota, não é o que vai ganhar com aquilo, mas o processo mesmo de fazer. Isso dá liberdade de ação. Não quero dizer que alguém não pode fazer nada pelo resultado, sim, pode fazer, mas vai fazer com a seriedade de respeitar o processo, não vai fixar-se nos resultados.

RH – O que o senhor diria a um professor de crianças, da educação infantil, por exemplo. Que mensagem o senhor deixaria a elas ou eles?

HM – Não traiam as crianças! Não prometa acolhê-los quando os vai desconsiderá-los. Não prometa que vai levá-los a brincar quando vai ordená-los que se sentem e fiquem quietos. Porque o que um professor faz, às vezes, sem dar-se conta, é claro, é freqüentemente trair as crianças em função do que ele quer que elas façam. Por um lado os acolhe, mas na realidade os distingue, então a criança vive isso como uma traição. Um menino que está chegando na escola infantil e o professor diz “venha aqui, você vai brincar com as outras crianças!” e depois que o menino aceita isso ele diz “Bom, agora fica sentadinho aqui!”, vive isso é uma traição. As crianças sabem exatamente quando alguém promete algo e não cumpre, e vivem isso como uma traição. Isso gera dor e produz sentimentos, por que é uma negação de nossa condição amorosa.

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Ivan Illich

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Ivan Illich foi um dos pensadores mais radicais no campo da Pedagogia. Em minha pesquisa sobre o autor, me deparei com um material didático e de qualidade que está sendo produzido pelo professor André Azevedo da Fonseca, afim de divulgar o pensamento de educadores à frente de seu tempo. Abaixo, deixo uma breve descrição do professor André Azevedo da Fonseca sobre Ivan Illich, além de uma série de três curtos e didáticos vídeos sobre sua mais relevante obra, “Sociedade Sem Escolas”, apresentados e produzidos pelo mesmo.

“Para o educador Ivan Illich, o direito de aprender é simplesmente interrompido pela obrigação de frequentar a escola.

Ivan Illich foi um dos pensadores mais radicais no campo da Pedagogia. A grande provocação que ele deixou para a humanidade foi o seu livro chamado Sociedade sem Escolas, publicado em 1971. Esse livro aponta problemas muito incômodos sobre a indústria das escolas e sobre as intenções ocultas que sustentam parte do discurso que aparentemente valoriza a educação.

Ivan Illich vai direto ao ponto: para ele, o direito de aprender é simplesmente interrompido pela obrigação de frequentar a escola. Ou seja, toda aquela organização burocrática que sustenta a rotina escolar e principalmente o prolongamento artificial do tempo de escolarização, na verdade, atrapalham a aprendizagem.
Em busca de uma solução para o desastre da escola institucional, ele defendia a criação de uma “teia educacional” capaz de oferecer a todos a oportunidade de transformar cada momento de sua vida num instante de aprendizado, de participação e de cuidado.

O modelo proposto por Ivan Illich é a criação de uma Era de Lazer, em que aprender fosse uma atividade de curiosidade constante e prazerosa que ocorreria em todos os momentos e todos os lugares.

Mas para isso é preciso combater essa economia dominada pelas indústrias de serviço, que parecem preocupadas com educação, mas na verdade só querem prolongar o tempo de consumo de seus serviços. ”

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Zygmunt Bauman

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Zygmunt Bauman (Poznań, 19 de novembro de 1925) é um sociólogo polonês que vem nos ajudando a encarar e compreender a sociedade que nós mesmos criamos e, ironicamente, tem se tornado um ambiente onde cada vez menos conseguimos nos encaixar com naturalidade.

Segundo Bauman, cada vez mais a sociedade em geral, tem menos contatos entre os indivíduos e que duram menos. Uma das suas frases, em português se traduzem que “as relações escorrem pelo vão dos dedos”. Devido às relações líquidas descritas por Bauman em livros como Amor Líquido, em que as relações amorosas deixam de ter aspecto de união e passam a ser mero acúmulo de experiências, ou em Medo Líquido, onde a insegurança é parte estrutural da constituição do sujeito pós-moderno, o autor é descrito frequentemente como pessimista, mas sua intenção é seguir a contracorrente: se há cientistas, poetas e artistas espalhando diversas virtudes do capitalismo, por que não expôr exatamente o contrário, ou seja, sua face desumana?

Essa entrevista com Zygmunt Bauman sobre a Modernidade Líquida, nos ajuda a entender e buscar novos caminhos para essa sociedade, onde cidadãos se tornaram consumidores. É nessa sociedade que nossos filhos estão nascendo e sendo criados. Para educá-los, é fundamental encará-la e entendê-la a fundo.

Para quem quiser adentrar ainda mais na mente e na alma deste grande pensador e sociólogo, sugiro o documentário polonês Lawnswood Gardens, sobre a vida e obra de Zygmunt Bauman. O filme expõe relatos do autor sobre suas ideias de sociedade de consumo, amor e ética. Assista o trailer abaixo:

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